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Exploração do pré-sal traz riscos de vazamento no litoral brasileiro

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Do G1

 

Por Beatriz Thielmann

A luz vermelha está acesa no mercado do petróleo. O acidente no Golfo do México abalou empresas. Deixou preocupados ambientalistas e governos.

A União Europeia propôs que novas explorações sejam suspensas nos mares do Norte, Negro e Mediterrâneo. Noruega e Estados Unidos interromperam a produção em novos poços até que sejam detectadas as razões do desastre.

Enquanto os outros países colocam o pé no freio, o Brasil tenta acelerar.

A Petrobras deu início à produção comercial de petróleo do pré-sal, na semana passada, na Bacia do Espírito Santo.

O Brasil hoje é um dos países mais avançados do mundo na exploração de petróleo. O que mais preocupa, depois do desastre ambiental nos Estados Unidos, são as consequências de um possível acidente em águas tão profundas.

“No Brasil, estamos falando de uma exploração a 300 km da costa e a 3 vezes mais profundidade”, explica o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn.

O reservatório do poço de Macondo, no Golfo do México, onde ocorreu o desastre, está a 5.400 metros de profundidade. No Brasil, as reservas já exploradas também estão no pós-sal. Já os reservatórios do pré-sal ficam muito mais distantes da superfície. Tupi, na Bacia de Santos, está a 7 mil metros de profundidade. Para chegar a ele, é preciso transpor antes uma camada de sal que pode ter até 2 mil metros de espessura. Uma operação delicada e sem precedentes.

As altas temperaturas e as grandes quantidades de dióxido de carbono no pré-sal podem danificar os equipamentos na perfuração.

Ao ser perfurada, a camada de sal pode agir como uma esponja, fechando o poço. Para evitar isso, só envolvendo as paredes do poço numa espécie de capa protetora de aço e cimento.

Um especialista diz que, para evitar vazamento semelhante ao do Golfo do México, é preciso reforçar os equipamentos de segurança. “É um dispositivo de segurança que é colocado na cabeça do poço que, em casos de emergência ele vai agir cortando o duto que conduz o óleo e vedando o poço. Ele falhou nessa circunstância e deve haver um estudo para dar redundância a esse equipamento, ou seja, termos outros dispositivos que, em caso de falha, a outra possa atuar cortando e vedando a ação desse óleo”, diz Segen Estefen, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Não são apenas os equipamentos que vão encarecer a exploração do petróleo.

“A começar pelos seguros de plataforma, que estão aumentando entre 80% e 90%. Além do mais você vai ter exigências maiores pra concessão de licenças ambientais. Na medida em que o seguro vai ficar muito caro você pode até inviabilizar a produção de petróleo em determinadas regiões do fundo no mar”, diz o consultor Adriano Pires.

 

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