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Desperdício de água no Estado do Amazonas é de 60%

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Manaus - As perdas de água no Estado chegam a 60% do total tratado pela concessionária Águas do Amazonas, segundo o diretor da empresa, Arlindo Sales. O desperdício está acima da média nacional, que é da ordem de 37%, conforme o Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto de 2008, elaborado pela Secretaria Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Sales atribui as perdas ao uso irracional da água, principalmente por consumidores que fraudam o sistema de distribuição. Ao ter o fornecimento interrompido por inadimplência, segundo o diretor, há consumidores que fazem religações clandestinas e acabam consumindo muito mais do que se estivessem em situação regular. A estimativa da Águas do Amazonas é a de que 75 mil domicílios fraudem o sistema de distribuição.

De acordo com o diretor, enquanto uma família de quatro pessoas consome em média 20 mil litros de água por dia, uma família que é servida por ligações clandestinas consome 80 mil litros por dia. “Por causa das fraudes, a Águas do Amazonas produz água para três milhões de pessoas e não consegue atender plenamente 1,8 milhão”, declarou.

Norte

Na Região Norte, conforme os dados da Secretaria Nacionald e Informações sobre Saneamento, as perdas de água são de 53,4% em média. A direção do Departamento Estadual de Água e Saneamento do Acre (Deas) apontou um percentual de 58% a 60% nas perdas do Estado. No Pará, de acordo com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), as perdas são de 48%.

As diretorias das duas concessionárias também apontam as fraudes e o uso irracional da água como os principais motivos do alto índice de perdas na Região Norte.

“No caso dos desperdícios temos feito um trabalho, desde o início das operações, chamado Portas Abertas, que inclui visitas às escolas e empresas, abordando temas como  meio ambiente, saneamento básico, abastecimento e tratamento de água, além de campanhas com orientações de consumo, uso racional e combate às fraudes e furtos”, afirmou o diretor da Águas do Amazonas.

Poços

Sales propôs, ainda, que a Águas do Amazonas tenha apoio policial para evitar a proliferação de poços artesianos ilegais. “Mesmo os poços liberados pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas) prejudicam o sistema público. Muitas vezes, mesmo com água encanada o consumidor fura um poço só pra ter o próprio poço em casa. Assim, esgotam-se as formas estratégicas de extração de água”, afirmou o diretor da concessionária.

Segundo o Ipaam há uma parceria entre o instituto e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) na definição de critérios para a outorga das águas subterrâneas. O órgão informou que realiza um cadastramento dos poços instalados em Manaus que vai permitir fazer um diagnóstico de quem usa poço (condomínios, postos, indústrias, residências), para que utiliza, qual a profundidade deles e se há fonte de contaminação próxima.

Somente após esse cadastro, serão definidos os critérios que vão definir a outorga do uso das águas subterrâneas que deverão ser aprovados pelo CRPRM. Atualmente, segundo o Ipaam, há 7.895 poços cadastrados no Amazonas.

Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Sérgio Bringel, é preciso haver fiscalização dos órgãos públicos quanto à proliferação dos poços no Estado. “Muitas vezes os poços irregulares são rasos (de 40 a 60 m) e após várias retiradas causam um vácuo que impede a reposição da água, além de causar a contaminação do lençol freático”, afirmou Bringel.

Inadimplência

De janeiro a junho de 2010, 106.250 clientes da Águas do Amazonas estavam com as contas de água em atraso, o que corresponde a 25% do total de pessoas que usufruem desse serviço. A empresa tem atualmente 425 mil consumidores cadastrados para receber serviços de saneamento e água encanada.

A inadimplência este ano está abaixo da registrada no primeiro semestre de 2009, que foi de 31%, ou 131.750 consumidores. Para o diretor de Relações Institucionais da Águas do Amazonas, Arlindo Sales, o índice de inadimplência ainda não é o ideal, apesar da queda. Segundo ele, no segmento de saneamento, os índices de inadimplência confortáveis estão em torno de 10% a 13%. “As ações de cobrança implantadas pela empresa desde o inicio do ano, como supressão ou corte no fornecimento, visita de funcionários às residências, inclusão dos devedores nos cadastros do Serasa e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) foram os responsáveis pela queda”, afirmou o diretor.

A média nacional de clientes com as contas em atraso, referentes a esse serviço corresponde a 12%. A Águas do Amazonas atende apenas à capital amazonense.

 

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