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O drama de quem perdeu tudo com a chuva

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image Foto: Gazeta Online / Divulgação

Redação Multimídia da Gazeta Online

Uma das salas de aula da Escola Municipal João Calmon, em Vila Velha, é a nova casa da família de dona Maria do Carmo dos Santos, de 79 anos, moradora de Cobilândia. O local está funcionando de abrigo para os desalojados do município. "Moramos ao lado do valão, e não tivemos escolha. Desta vez, a chuva veio tão forte que eu fiquei com a água na cintura", diz. Entre filhos, netos e bisnetos dela, são 20 pessoas. Eles foram resgatados, apenas com as roupas do corpo, por um dos caminhões do Exército que percorre as áreas de risco da cidade.

"Bens materiais e roupas a gente consegue de novo. O importante é a nossa vida", observa Bruno Gonçalves, de 27 anos, neto da senhora.

O drama da família de dona Maria é um entre as histórias de quase 2 mil pessoas que tiveram que sair de casa por conta da chuva, segundo relatório da Defesa Civil Estadual. Somente no município de Rio Bananal, na Região Norte, 300 moradores saíram de casa às pressas com a enchente, que quase encobriu casas na cidade.

Com as dificuldades para se deslocar, escolas que não funcionaram, e eventos foram adiados. Ao todo, a Defesa Civil estima que mais de 170 mil pessoas tiveram a rotina alterada no Espírito Santo com a chuva.

Em João Neiva, também no Norte capixaba, 11 mil – dos 14 mil – habitantes foram afetados. O prefeito decretou situação de emergência no município, e uma equipe da Defesa Civil Estadual está realizando levantamentos para definir o tipo de ajuda que deve ser oferecida. Em Vila Velha, também foi decretada situação de emergência.

Em Ibiraçu, choveu em três dias quase quatro vezes o que estava previsto para todo o mês de outubro. Desde 1976 não chove tanto neste mês, como observou o Centro Capixaba de Meteorologia e Recursos Hídricos (Cecam). O aumento do nível da água de rios foi o que ocorreu na maioria das cidades que estão tendo dificuldades.

Cinco rodovias estaduais tinham trechos de interdição total, onde foi preciso usar desvios, ontem. Em alguns pontos, a água levou parte do asfalto. Em rodovias federais, houve queda de barreiras.

Até a noite de ontem, as rodovias que levam a Santa Leopoldina, na Região Serrana, estavam intransitáveis, e a cidade estava isolada até ontem à noite. Na Grande Vitória, houve queda de barranco, muros, e um barraco caiu. Dezenas de casas foram tomadas pela água, e moradores tiveram que deixá-las. Para acompanhar e organizar os trabalhos das equipes de socorro e ajuda, o governo do Estado criou uma comissão especial.

O drama de quem perdeu tudo com a chuva

Melina Mantovani - gazeta online

Por conta da situação de alguns bairros que foram invadidos pela água das chuvas, muitas pessoas estão ficando desabrigadas no município de Vila Velha. Mais de 100 pessoas já foram encaminhadas para o abrigo na escola de ensino fundamental João Calmon, no bairro Parque das Gaivotas. A maioria delas só conseguiu chegar até o local com a ajuda do caminhão do Exército, já que não é possível acessar alguns pontos do município, por conta dos alagamentos.

No abrigo, as pessoas recebem atendimento médico, psicológico, com assistentes sociais. A comida e os remédios estão sendo oferecidos pela prefeitura e por meio de doações. Roupas, fraldas descartáveis e mantimentos são as prioridades no momento.


Drama


O drama de muitas famílias está concentrado nesse local. A doméstica, Elisângela de Souza, 23 anos, pediu a ajuda do Exército assim que água começou a invadir a casa, no bairro Cobilândia. Ela conta que teve perdas materiais, mas a única preocupação dela era com a vida dos cinco filhos.

"A chuva entrou e tomou metade da minha casa. Quando vi a água subindo pensei imediatamente em tirar meus filhos de lá e ir para o abrigo. Perdi muito coisa, fogão, roupas, geladeira. Agora é esperar passar para comprar tudo de novo", diz.

A diarista Fabiana Santos, 24 anos, também moradora de Cobilândia, perdeu muita coisa, foi para o abrigo, mas não desanimou. "Eu pensei que ia alagar tudo. Perdi colchão, roupa, guarda-roupa, sofá. Agora é pedir que a água acabe e que a vida melhore. Batalhando a gente consegue tudo de novo", conta.

Cuidados

O secretário municipal de saúde, Pablo Márcio Ribebiro Freitas, afirma que a população deve ter cuidado ao entrar em contato com a água suja dos alagamentos para evitar doenças.

"O ideal é não entrar em contato com essa água, mas quando não há como evitar, como no caso das casas que são invadidas pela água, as pessoas devem se preocupar em se lavar bem, com água e sabão", afirma Pablo Freitas.

Outra opção para os moradores é usar botas ou algo que proteja os pés para evitar a contaminação pela água, acrescenta o secretário.

Doações

As doações podem ser feitas de 8h às 18h, incluindo sábados, domingos e feriados.
 
Pontos de arrecadação:

- Teatro Municipal de Vila Velha
Praça Duque de Caxias, Centro

- Ginásio Presidente João Goulart (Tartarugão)
Rua Itaiaba, s/n, Coqueiral de Itaparica

Exército

Os moradores que estiverem em risco e precisarem da ajuda do exército podem entrar em contato com o Ciodes pelo 190, Ouvidoria Municipal pelo 0800 283 9059 ou Defesa Civil Estadual, pelo 193.

 

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